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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

ESTADO E RELIGIÃO

      Não consigo entender, tantas discussões e opiniões por assuntos já decididos e escritos no artigo quinto da nossa constituição.
     As pessoas se ofendem fácil demais, por muito pouco.
     Esquecemos que todos temos direito a ter opiniões próprias, e deveríamos entender que a diversidade é boa e não ruim. 
     O fato de existirem pessoas que pensam e agem diferente, não deveria ser motivo para gastarmos tanta saliva e textos para provar que alguém tem razão ou não. 
     Termos  como   direita,   esquerda,  burguesia,   republicano,  conservador, neoliberal, comunista, progressistas, e outros, às centenas. 
     Esses termos não dizem muita coisa ou dizem tudo e isentam as pessoas de pensar.
     Exibir  opiniões  diferentes  e  assumir publicamente isso, deveria ser um motivo para elogios e não o contrário. 
     Expor na forma prevista em lei, não pode ser considerado crime.
     Respeitar a lei não é opcional.
     Posso  não  me  sentir   confortável, pelos  meus  princípios ou  por  minha educação em dividir meu espaço com alguém diferente. Isso no entanto não me autoriza agredir fisicamente e nem ofender por causa destas diferenças. 
     Também não devo ser obrigado a aceitar o contrário.
     Alguma  coisa  me  incomoda,  me afasto, me retiro. sobretudo se cheguei depois.
     Ser equilibrado, ter  bom  senso, não  impor  as   minhas verdades  e  ter tolerância com os outros ou pelo menos ouvir suas razões e eventualmente posso mudar de opinião ou pelo menos aprenderei a ver as coisas de um outro ponto de vista, outro ângulo.
     O estado é construído pela religião da maioria e se se disser democrático deve zelar pelo direito de todos terem a sua ou de não a terem se for o caso.  
     Escrever na moeda, um dos símbolos e instrumentos de autonomia das nações, alguma expressão religiosa,  afixar cruzes nos tribunais, não autorizar o aborto, não denominar casamento às uniões de homossexuais, não transforma imediatamente o estado em fundamentalista religioso, nem o juiz.
     O politicamente correto, embora pareça cheio de boas intenções, atrapalha mais do que ajuda e distorce nossa  compreensão.
     Porque posso me referir jocosamente ao gaúcho, mas não ao nordestino, posso ter uma banda chamada Raça Negra e não posso ter uma chamada raça branca, posso dizer loura burra e não posso dizer nega do cabelo duro.
     Referir-se ao negro como afrodescendente é de uma hipocrisia e cegueira a toda prova e se o ser humano for oriundo da áfrica, mas tiver a pele e os cabelos claros, se for ruivo, albino, se tiver traços árabes e ou orientais, não será afrodescendente? 
   Dizer que o estado é laico e que por isso não pode ostentar símbolos religiosos é o mesmo que dizer não somos um país desenvolvido porque falamos português. É reduzir e generalizar demais, ou ainda preguiça de pensar e então simplesmente adotar uma idéia que alguém adotou sem ao menos analisar, comparar, ouvir argumentos.
     O nosso estado é laico, mas os cidadãos não.
   Não conheço nenhum estado, do presente ou do passado, que não seja moldado pela religião. Religioso ou não, pró ou contra.
   E mais, a democracia tem de expressar a vontade da maioria, sempre moldada pela religião ou pela ausência dela, de outra forma não seria democracia. 
  Somente nas democracias é possível existirem várias correntes de pensamento, várias religiões, vários comportamentos aceitos, pois, estão previstos nas leis, que podem ser modificadas de acordo com as necessidades dos cidadãos. 
    Os costumes e usos são um pouco diferentes das leis. Enquanto estas entram em vigor em data certa, esses são modificados lentamente e de forma imprevisível.
    Entendo que pensar diferente é uma escolha e portanto um direito que tenho, mas, minhas escolhas tem ganhos e perdas e se minhas escolhas, são me portar contra os usos e costumes, devo me preparar para os confrontos e entender que são mudanças demoradas. Acelerar este processo cultural, não costuma dar bons frutos, radicalizar também não.
      

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

EITCHA SALVADOR


Andar por Salvador é uma aventura digna dos Bandeirantes.
Se tiverdes coragem ou necessidade de se deslocar a pé, encontrarás obstáculos mil.
Se houver calçada, estará tomada por carros, camelôs, promotores de alguma financeira ou cursinho devidamente uniformizados, ou entulhos e lixos diversos espalhados. Normalmente as calçadas estão precárias de tal maneira que impossibilitam o uso em muitos trechos.
A desordem impera em praticamente toda a cidade.
Se a distância do seu deslocamento for um pouco maior e decidires ir com seu carro, prepare-se.
Estacionar vai ser difícil, ainda mais se desejares cumprir as leis. Fatalmente será abordado por um flanelinha, uniformizado ou não, mas que fará questão de não emitir o recibo de estacionamento.
O maior problema, no entanto é o deslocamento intercalado por crateras, carros parados e estacionados em locais proibidos, “roubadinhas” que tumultuam o deslocamento, veículos de transportes fazendo carga e descarga, pedestres se deslocando e invadindo as ruas, pois as calçadas estão tomadas de obstáculos, sinalização insuficiente e semáforos desregulados, ciclistas e motoqueiros imunes às leis.
Se fores politicamente correto e optares por um ônibus, muna-se de coragem.
Inexiste informações precisas de qual linha tomar para o seu itinerário, ela só existe no coletivo.
O coletivo apanhará os passageiros onde o motorista achar conveniente, não raro ele, para no meio da rua nas proximidades do ponto, por algum empecilho, como carros indevidamente parados no ponto, falhas na pavimentação ou por opção, portanto a sua aventura começa aí, alcançar a porta do veículo.
Se fordes bem sucedido, o próximo estágio e permanecer ileso, pois freadas bruscas e arranques repentinos, poderão acrescer sustos, emoções e hematomas a sua viagem.
O que parece inexistente é a autoridade.
Também acho que a fiscalização e a lei não resolvem todos os nossos problemas, é fundamental que queiramos cumprir as leis, pois do contrário, nunca serão suficientes as eventuais fiscalizações e nem os órgão fiscalizadores.
No entanto, acho pouco coerente que as várias instâncias de nossas autoridades não estejam em sintonia e gerando sinergia em ações que sejam complementares.
O que custa à polícia militar, embora cuidar do trânsito não seja sua função, advertir um condutor em flagrante desrespeito às leis (estacionado em local inapropriado, ciclista na contramão, motociclista que avança o sinal, veículos de transporte de passageiros e descarga impedindo o trânsito...).
A prefeitura poderia dizer a que veio, exigindo as calçadas, tornando a coleta de lixo regular (divulgando os horários e roteiros), exigindo regularização nas construções impedindo o esgoto irregular o depósito de entulho nas calçadas, etc.
Os diversos organismos poderiam trabalhar em conjunto, elencando as irregularidades vistas para os setores competentes, reduzindo o trabalho que certamente teria que recomeçar a cada fiscalização específica.
O governo do estado poderia ser efetivo nas fiscalizações das feiras livres onde gatos, ratos, baratas e pombos dividem irmanamente o espaço com carnes e outros víveres.
Mas fundamental é que haja intolerância com as ilegalidades, os jeitinhos.
A existência da lei não garante por si só, não garante o cumprimento. Observem-se as vagas especiais nos estacionamentos, para idosos e deficientes, dentre outras. Raramente são ocupadas por quem de direito.
Vi parte do plano de tolerância zero, do prefeito de Nova York, cuja filosofia é mais ou menos contida no ditado “é de pequeno que se torce o pepino”. A parte boa do processo é que se baseia na simplicidade. O sujeito começa atirando o lixo na rua, ninguém o repreende e num crescente depreda uma lixeira, quebra um banco na praça, e assim vai.
Acaba por achar que pode roubar assaltar.
Também não acho que seja possível que toda a solução deva vir do poder público. Acho que a educação é a parte preponderante.
Mas a minha experiência me autoriza a afirmar que mais se educa pelo exemplo que pelas palavras.
E nada melhor experiência que a vivida.
Eu respeito às leis de trânsito porque quero me dar bem. Se todos cumprissem as leis, não haveria invasão de semáforos, impossibilidades de deslocamentos por paradas irregulares e etc.
Acho é essencial que quando se enxergar um agente público seja possível ver a autoridade inerente, institucional dada pela lei, e também ver a postura que se espera de uma autoridade.
Ver um policial ou agente de trânsito falando animadamente num celular, não parece um ato que ajude a impor ordem.
É claro que são seres humanos e portanto falhos, mas acreditar na autoridade é fundamental.